Où me mènent mes pas...

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Há palavras no chão e é justamente onde eu piso...

quarta-feira, 9 de março de 2011

O último folião

Chico Buarque, um dos grandes poetas da música brasileira, compôs a canção “Ela desatinou” -Ela desatinou, viu chegar quarta-feira Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando [...]Ela desatinou, viu morrer alegrias Rasgar fantasias, os dias sem sol raiando E ela inda está sambando [...].
Recorri a Chico para chamar a atenção não da perspectiva poética da canção, onde a personagem continua sambar feliz mesmo com a avenida vazia após chegar a quarta-feira de cinzas onde marca o término do carnaval.Recorro à canção para exprimir minha tristeza e indignação ao contraste da alegria exprimida nos semblantes dos foliões com a tristeza exprimida no semblante de nossas cidades.
O lixo herdado por nossas esquinas, o mictório a céu aberto que nossas ruas se transformam ficando insuportavelmente fétidas, e etc.,
é o preço que nossos bairros pagam por tamanha incompetência de nossas prefeituras que não abastecem de banheiros químicos que são absurdamente insuficientes para a demanda de foliões, isso quando ainda há banheiro. Assim como vejo também que não há campanha alguma de conscientização àqueles que infelizmente parecem fazer questão em jogar lata de cerveja ou refrigerante no chão, ou algumas escolas ou pequenos blocos que deixam alguns entulhos de seus respectivos desfiles.
No Rio de Janeiro no carnaval de 2011 foram colocados 13.000 banheiros químicos, o triplo do ultimo carnaval, mas 600 pessoas foram detidas pela polícia por fazerem xixi nas ruas (homens e mulheres), devido à falta de limpeza, pois quando se abria os banheiros lá estavam cheios e insuportavelmente fedorentos, além da fila enorme. Então fica claro que nossas prefeituras têm muito que fazer para resolver este problema grave que afeta nossas cidades e nossa saúde, e entendo que não perpassa por criminalizar os foliões, e sim ser mais contundente no processo de conscientização.
O carnaval é uma das manifestações populares que mais levam o povo pra rua e esta festa está presente em praticamente todas as cidades brasileiras, cada um em sua devida proporção, mas o que importa é que essa festa está aí e não podemos manchá-la quando a quarta-feira chegar. ENTÃO, VAMOS PÔR A BOCA NO TROMBONE, E NÃO MAIS SOMENTE PUXAR AQUELAS MARCHINHAS TRADICIONAIS? VAMOS COMPOR NOVAS E DE PROTESTO POR MAIS BANHEIROS PÚBLICOS, MAIS LIXEIRAS E MAIS CONSCIÊNCIA DO POVO?
Vamos dar menos trabalho aos nossos últimos foliões que por nossas ruas desfilam com suas vassouras.

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